Olá Floydiano.
Se já és assíduo deste blogue, prepara-te, pois a partir daqui vais sentir a diferença. Se chegaste agora, penso que vais ficar assíduo.
Até aqui ‘postei’, no início de cada álbum, uma breve resenha histórica, pesquisada no Wikipedia e em outros blogues, naturalmente, adaptada à minha maneira de escrever.
A partir de agora, vou escrever o que conheço de cor e salteado...
Estamos a entrar numa fase, em que eu já ouvi os álbuns tantas vezes, que as músicas ecoam dentro de mim…
Escusado será dizer, que as ouvirei outras tantas mais, sem nunca me arrepender de tal.
Estamos perante uma banda que, hoje sabemos que sim, mas à altura era uma incógnita, virá a ser um dos ‘dinossauros’ da história do som.
E quando o digo ‘dinossauro’, para terem uma ideia do que isso é, as bandas que ganharam mais ‘guita’ a produzir som são: os Beattles, em 1º lugar, tivemos os Roling Stones em 2º, durante muito tempo, mas os U2 já os ultrapassaram, ‘empurrando’-os para 3º. Em 4º estão os Pink Floyd, que até à ascensão do U2 estiveram em 3º, naturalmente.
Esqueçam Michael 'Jacksons', 'Madonas', 'Princes', 'Robbys' Williams e afins. Isso foi ‘peixe miúdo’…
Avançando para o álbum que é tema desta categoria, Meddle, gravado em 1971, temos de vez uma ruptura com a era psicadélica.
Os Pink Floyd encontraram o som, que após meia década de experiências, mistura o rock com o blues, com o sinfónico e com o que lhes ‘vem na alma’, mas duma maneira coesa, e que soa bem em todos os momentos da música.

Já chega de juntar orquestras, e misturar tudo o que apetece naquele dia, lançar-se em solos rasgados, ácidos e dissonantes, enfim, já chega de brincar aos 'rockeiros'.
Com os membros da banda a rondar os trinta anos de idade, começam a produzir som de qualidade, com cabeça, tronco e membros, mas sem nunca perder a vontade de inovar, que os acompanha desde o primeiro álbum, e os acompanhará até ao último.
O álbum tem cinco músicas no primeiro lado do vinil, e apenas uma, de 23 minutos, no segundo. Este formato já tinha sido adoptado no álbum anterior.
A música que abre o álbum é um tema praticamente instrumental.
Só não o é na sua totalidade, pois tem no meio uma única frase (one of these days, I'm going to cut you into little pieces), cuja tradução encontrarás no ‘post’ da música em questão, One of these Days.

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A linha principal da música é mantida pelo baixo ‘martelado’ e ‘enfurecido’ de Roger Waters, enquanto David Gilmour, visivelmente um guitarrista com a escola ‘blues’, faz deslizar o ‘slider’ sobre as cordas, relembrando os tempos de Syd, mas com uma harmonia de mel, que só ele sabe tirar de uma Fender.
Na bateria, Mason começa a música apenas agitando os pratos aqui e ali, até dizer com a voz destorcida, numa pausa a meio da musica, a única frase vocal, já referida.
Aí voltam todos ao rife principal do tema, mas desta vez com um ritmo ‘swing’ com força de rock, impelido pelas 'mágicas' baquetas, bem ao estilo do baterista.
Wright, ainda que despercebido, enche a musica preenchendo o som intermédio em falta, devido ao solo contínuo de Gilmour.

É um tema com uma força impressionante, e talvez a primeira composição de Pink Floyd que atinge o som intemporal, que tanto os caracteriza.
De realçar ainda, que pela primeira vez os Pink Floyd ‘colam’ duas músicas.
One of these Days termina com o som de vento, e A Pillow of Winds começa também com o mesmo som. Assim, no disco não há pausa entre elas.
Este formato, virá a ser levado ao seu expoente máximo, entre 1973 e 1983, onde são gravados 5 álbuns conceituais, naquela que eu considero a época de ouro dos Pink Floyd, e onde todos os temas se interligam entre si, obedecendo ainda, nas letras, a um tema central do álbum, mas isso fica para mais tarde.
Da segunda à quarta música, pouco tenho para dizer.
São temas bem tocados, por uma banda coesa e eficiente, mas que nada trazem de novo ao mundo.
Passariam por uma música de qualquer boa banda dos anos 70.
Estou naturalmente e expressar a minha opinião pessoal, e haverá quem discorde, mas acho estas músicas mais próximas das que fizeram antes, que das que virão a fazer nos anos seguintes.
A quinta música, Seamus, é um momento musical curioso.
É um tema blues no seu modo mais puro, muito pequeno, com apenas dois minutos, onde a curta letra vai falando de um cão de caça, enquanto um cão uiva perfeitamente integrado na música (juro que já vi pessoas a cantar bem pior que o cão, com direito de antena em prime-time, em concursos idiotas na televisão).
É um momento musical único, que eu pessoalmente adoro ouvir, mas que foi ‘apelidado’ por muitos, como a pior música de Pink Floyd de todos os tempos… Ouve-a, e faz a tua avaliação.

Echoes, é aquela que eu considero a primeira ‘obra-prima’ dos Pink Floyd.
Ouve-a, que seguramente não vais dar o teu tempo por perdido.
Mas fá-lo quando tiveres meia hora, e a poderes dedicar inteiramente ao prazer auditivo.
Se poderes fazê-lo com uns bons head-phones, vais ‘viajar’ pelo universo da estériofonia, algo que estava a ser descoberto na altura pelo mundo.
A música começa com o som de uma gota a cair dentro de água, como numa gruta, produzido pelo teclado de Richard Wright.
Progressivamente os instrumentos vão aparecendo, um a um.
O teclado vai ampliando a panóplia de sons, enquanto David Gilmour, suave como mel, vai solando de fininho.
Entra então o Nick Mason com um prelúdio do que virá lá para a frente, e só então, começa a sentir-se o baixo, ainda mansinho, de Roger Waters.
A música volta a acalmar e continua o dueto instrumental entre teclas e guitarra.
Depois de nova reentrada da bateria, começam então, Wright e Gilmour, a cantar a duas vozes numa melodia triste mas penetrante, ficando o baixo do Waters com a responsabilidade de segurar o tema.
No final de cada estrofe, em vez do tradicional refrão ou solo, tão típico no rock e pop, as vozes fundem-se com a reentrada do rife instrumental, que nos acompanha desde o início do tema, mas que vai crescendo em termos de potência, a cada estrofe.
Quando acaba o primeiro conjunto de estrofes, o dito rife vai crescendo lentamente, até atingir um momento intenso, de sonoridade contagiante, com a fender nos ‘pincarinhos’ da escala musical.
Percebe-se também aqui, para que serva a super bem apetrechada bateria de Mason, que tem neste tema um desempenho brilhante.

A música, cheia de subidas e descidas, algo que tanto caracteriza o som Floydiano, volta a cair ficando no ar um solo rasgado, violento, mas lento e meloso, como só o Gilmour consegue sacar na perfeição.
Wright, vai martelando em ‘despique’, com sons sintetizados, também estes novidade àquele tempo.
O baixo de Waters, aqui com mais presença, mantém o rife, enquanto Mason vai marcando, qual metrónomo.
Este ‘jam’ musical vai caindo, enquanto a música começa a ecoar, de novo como numa caverna, produzindo um amontoado de sons que fazem parte do mundo natural, mas aqui produzidos pelos instrumentos dos quatro ‘malucos’, que se vão estender por alguns minutos em efeitos de distorção do som.
É incrível, mas conseguimos ouvir vento, gaivotas, rugidos, o silvar do vento a entrar numa frincha, etc.
Em minha opinião, esta parte podia ter sido um pouco encurtada.
Mas, é um facto que é a parte da música que dá nome ao tema, e que era já tradição dos Pink Floyd estenderem as músicas ao limite do vinil.

Após a sessão de ecos, a música retorna.
Primeiro o baixo, depois as teclas, depois os pratos, depois toda a bateria e finalmente a guitarra, num palpitar acelerado, que vai aumentando de potência até cair na última estrofe.
De realçar ainda, o final da música, onde esta vai crescendo num rife cavalgante, para morrer como começou o álbum, e como se ‘colou’ a primeira com a segunda música do álbum… com vento.
À semelhança dos álbuns anteriores ‘postados’ aqui no Floydianos, tens agora de seguida, todas as músicas que compõem o álbum, bem como as respectivas letras e traduções.
As letras traduzidas, tentam apenas apanhar o que quem escreveu queria dizer, sendo que, não sou ‘expert’, nem tenho formação específica para isso.
Não estão traduzidas ‘à letra’, nem com preocupações métricas, o que faz com que não sejam cantáveis na nossa língua.
Julgo, no entanto, que poderão ser úteis a quem não domina o inglês.
RB

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